Gendering the Tourism Sector: Women Managers' Experiences in Hotel and Travel Businesses in Portugal
Inês Carvalho
Abstract
Inês Carvalho
Abstract
Esta tese tem como objetivo analisar em que medida as questões de género explicam os percursos profissionais de mulheres gestoras na área do turismo em Portugal. Os setores em análise são a hotelaria, agências de viagens e operadores turísticos. Esta é uma pesquisa baseada em métodos mistos, que inclui simultaneamente a análise quantitativa de bases de dados oficiais sobre o emprego no setor privado e a análise qualitativa de entrevistas com mulheres em posições de liderança nos setores investigados. Este estudo é ainda influenciado por teorias feministas sobre género, gestão e organizações. Na parte quantitativa do estudo, conclui-se que apesar de haver mais mulheres no setor do turismo, os homens predominam nas posições de topo e auferem salários mais elevados. A disparidade salarial de género aumenta com a educação e a hierarquia. Os resultados obtidos sugerem que a igualdade de género está ainda longe de ser uma realidade no setor do Turismo, em particular na hotelaria. Na parte qualitativa, o foco de análise são as experiências das mulheres gestoras com cargos de topo. É analisado o modo como as mulheres descrevem e interpretam as suas próprias carreiras, bem como em que medida as questões de género afetam as entrevistadas tanto na esfera organizacional como na esfera familiar. É ainda analisada a forma como estas mulheres respondem à “genderização” destes contextos, e como elas desafiam a “ordem de género” dominante em diferentes áreas da sua vida. Os resultados desta investigação sugerem que, embora o setor do turismo possa ser mais favorável às mulheres do que outros setores mais masculinizados, este reforça ainda estereótipos de género e padrões “genderizados” de emprego. As principais restrições parecem ser a noção masculinizada e abstrata de um trabalhador “ideal” sem responsabilidades na esfera familiar, a suposição de que as mulheres são menos competentes do que os homens, e as culturas organizacionais masculinas que se materializam na homossociabilidade masculina. As inquiridas são afetadas em diferentes graus pelos aspetos acima descritos, em função dos seguintes fatores: trabalhar por conta própria; ter filhos; dividir as tarefas com o parceiro; dispor de uma rede de apoio familiar para cuidado dos filhos; e existir uma “massa crítica” de mulheres em cargos de gestão nas suas organizações. As mulheres que atingiram posições de maior destaque em grandes empresas são as que percecionam maiores desigualdades de género, em comparação com aquelas que são empreendedoras no seu próprio negócio.
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Esta tese tem como objetivo analisar em que medida as questões de género explicam os percursos profissionais de mulheres gestoras na área do turismo em Portugal. Os setores em análise são a hotelaria, agências de viagens e operadores turísticos. Esta é uma pesquisa baseada em métodos mistos, que inclui simultaneamente a análise quantitativa de bases de dados oficiais sobre o emprego no setor privado e a análise qualitativa de entrevistas com mulheres em posições de liderança nos setores investigados. Este estudo é ainda influenciado por teorias feministas sobre género, gestão e organizações. Na parte quantitativa do estudo, conclui-se que apesar de haver mais mulheres no setor do turismo, os homens predominam nas posições de topo e auferem salários mais elevados. A disparidade salarial de género aumenta com a educação e a hierarquia. Os resultados obtidos sugerem que a igualdade de género está ainda longe de ser uma realidade no setor do Turismo, em particular na hotelaria. Na parte qualitativa, o foco de análise são as experiências das mulheres gestoras com cargos de topo. É analisado o modo como as mulheres descrevem e interpretam as suas próprias carreiras, bem como em que medida as questões de género afetam as entrevistadas tanto na esfera organizacional como na esfera familiar. É ainda analisada a forma como estas mulheres respondem à “genderização” destes contextos, e como elas desafiam a “ordem de género” dominante em diferentes áreas da sua vida. Os resultados desta investigação sugerem que, embora o setor do turismo possa ser mais favorável às mulheres do que outros setores mais masculinizados, este reforça ainda estereótipos de género e padrões “genderizados” de emprego. As principais restrições parecem ser a noção masculinizada e abstrata de um trabalhador “ideal” sem responsabilidades na esfera familiar, a suposição de que as mulheres são menos competentes do que os homens, e as culturas organizacionais masculinas que se materializam na homossociabilidade masculina. As inquiridas são afetadas em diferentes graus pelos aspetos acima descritos, em função dos seguintes fatores: trabalhar por conta própria; ter filhos; dividir as tarefas com o parceiro; dispor de uma rede de apoio familiar para cuidado dos filhos; e existir uma “massa crítica” de mulheres em cargos de gestão nas suas organizações. As mulheres que atingiram posições de maior destaque em grandes empresas são as que percecionam maiores desigualdades de género, em comparação com aquelas que são empreendedoras no seu próprio negócio.
Key concepts: Tourism, Business, Marketing, Geography, Archaeology